A questão ideológica nos debates da ONU

 Incrivelmente, estamos vivendo no século XX: nações que, teoricamente estariam unidas por propósitos bem definidos e marcados (como é comum de uma reunião da Organização das Nações Unidas), sentem uma enorme dificuldade para tornar isso uma discussão civilizada. A luta entre o Estado e o Capital transformou-se em pequenas provocações frequentes: os representantes russos não deixam de comentar sobre o bombardeio realizado pelos Estados Unidos na Síria, o qual matou 60 soldados e permitiu que o Estado Islâmico avançasse. Já os representantes estadunidenses não esqueceram o fósforo branco – arma química, utilizada pelos russos na guerra do Iraque. Os representantes russos retrucaram, é claro, dizendo que os estadunidenses desrespeitam os tratados, já eles... Óbvio que não!
            Em um momento posterior, os representantes estadunidenses dizem acreditar que os países não chegaram a um acordo realista. E, enquanto isso, a Rússia ainda se preocupa com os crimes de guerra cometidos pelos Estados Unidos no passado; enfim, os representantes israelenses disseram o que deveria ter ocorrido de forma natural desde o início do debate: “os países devem parar de se provocar e apresentar propostas sensatas”. Israel, por sua vez, embora tenha dito o óbvio sobre as falas até então apresentadas, não apresentou o que é, em seu ponto de vista, considerado válido.
            A China não deixou de participar da briga ideológica! Comentou-se sobre a veracidade e comprometimento das falas dos representantes dos Estados Unidos – “ Os Estados Unidos da América são uma nação ‘hipócrita’, que mostra interesse nas propostas e não consegue arcar com suas responsabilidades”. A mesa censurou a fala dos representantes chineses e, com isso, essa guerra ideológica arquiteta-se por um instante. Apareceram, então, as propostas econômicas e políticas, onde os países devem todos concordar com o que foi apresentado. Até o momento, essa reunião pode ser confundida com países lutando por seus interesses próprios e não pelos problemas causados pelo terrorismo.
            Como primeira intervenção na questão do terrorismo é apresentado algo de cunho econômico: estagnar a atividade petrolífera realizada pelo Estado Islâmico. Portanto, os países que necessitam de petróleo poderiam comprar de países como a Venezuela, enfraquecendo assim, a quantidade monetária arrecadada pelo EI com a venda do petróleo. Israel já se apresenta mais radical nesse ponto: propõe o bombardeio das reservas de petróleo e das bases do EI e também, o compartilhamento das forças de inteligência de diversos países. Também é negociada a receptividade dos refugiados em seus territórios e países que não os recebem (como a China, por conta da sua gigantesca densidade demográfica) e seu financiamento, como forma de ajuda concreta, para a fuga dos mesmos.

            Por fim, os representantes russos comentam que não querem um combate ideológico: pensam em fechar um acordo militar e econômico com outros países, visando ao máximo, ajudar os refugiados. O irônico nessa situação é que a Rússia, como o maior território do mundo, não recebe refugiados; não comentaram sequer um momento em como sua economia e, principalmente, a sua extensão territorial poderia ajudar os mesmos. Um dos representantes da França comentou com um da Rússia que a ideia francesa era realocar refugiados e estabilizar economicamente os países receptores. A Alemanha resolveu intervir nessa proposta, dizendo que os refugiados devem ser enviados proporcionalmente para os países de acordo com o PIB (produto interno bruto) dos mesmos.

             Escrito por Luiza Helena.