HIPOCRISIA ALEMÃ



Delegados alemães –foto tirada por Juliana Tamada 22.09.2016
A Alemanha adotou até agora uma política pacifista em relação à maneira de se lidar com os ataques terroristas e com a questão dos imigrantes. Seguindo tal política ela foi a delegação signatária do acordo que propunha a recepção de imigrantes proporcional ao PIB de cada país. Mantendo a sua ideologia contrária à forças militares ela foi uma das poucas delegações que apoiou o acordo feito pela delegação chinesa, o qual focava no fim do terrorismo sem utilização de força bélica.
            A partir de pesquisas e entrevistas foi possível a confirmação da contradição entre a delegação e as ações tomadas pelo governo e população alemã. A aprovação pelo Conselho de Ministros da Alemanha no envio de 1,2 mil militares à Síria para atuação contra o Estado Islâmico, ou os confrontos xenófobos entre estrangeiros e alemães de extrema direita, são um bom exemplo disso.
Quando questionados sobre tais ataques a Síria, dois dos quatro delegados alemães divergem em suas respostas. O delegado alemão Gabriel Santiago diz com convicção, “depois de um dia inteiro passamos a descobrir que não tem como acabar com o estado islâmico pela paz”; somente com o trecho acima percebe-se a indecisão do representante, o qual apoiou junto a sua delegação acordos que presassem o fim do terrorismo sem a utilização de forças militares.
Já o delegado Henrique Serra contradiz o seu colega e reafirma a política adotada pela Alemanha durante a reunião. “Neste momento nós não queremos fazer mais nada disso             ( envio de forças militares à Síria) porque nós temos nossos problemas internos”. Quanto à posição adotada pelo seu parceiro de equipe ele afirma “um delegado não é uma delegação “ .

Por sua vez, a delegada Lorena Leme toma o lado de Gabriel Santiago dizendo que “não tem como achar uma solução totalmente pacífica para acabar com o Estado Islâmico”. Mas, ela ressaltou que as medidas bélicas que devem ser adotadas para a resolução do problema tem de ser de maneira prudente. Já a delegada Lívia Freitas se recusou a pronunciar-se sobre o caso. 
Enfim, ao serem indagados sobre a questão xenófoba extrema em seu país, dois delegados alemães deixaram a questão sem uma resposta fixa. Um dos delegados em questão afirmou que, embora uma pequena parte da população alemã se comporte de maneira xenófoba, a maioria é totalmente a favor dos direitos humanos. A resposta da delegada deixa aberta uma importante questão: o que é considerado como “direito humano” ­– receber imigrantes ou trata-los de forma digna?
Dessa maneira, é impressionante que delegados com opiniões tão divergentes tenham achado uma linha de raciocínio em comum e apoiado um mesmo objetivo durante a maior parte da reunião. Por isso não é de se surpreender que ao final apoiaram a proposta do Estados Unidos de bombardear as regiões com o petróleo utilizado pelo estado Islâmico, adicionando a cláusula de que somente o parque industrial petrolífero seria atingido.


Por Andressa guimaraes e luiza helena.