É certo que o objetivo de um evento
como a ONU vital é o entretenimento de
seus participantes, bem como o desenvolvimento de habilidades como cooperação e
paciência; e a edição 2016 de fato tem proporcionado isso. A dedicação e
empenho dos delegados, membros da imprensa e membros da mesa não podem ser
ignorados. A taxa de discursos inconvenientes e com linguagem coloquial, bem
como a de participantes comendo, foi muito inferior à do ano passado.
No entanto, foram vistos erros, e
não foram poucos. Os delegados pareciam pouco instruídos e mais interessados em
defender suas delegações e atacar alheias do que buscar uma resolução. Desta
forma, passamos das 17h sem sequer ter dado início à confecção de uma solução.
Vários dos discursos pareceram vagos ou não levaram a lugar algum, e os
oradores não demonstraram notar tais falhas. Além disso, também observado
nações que contrariaram a posição oficial de seus países; uma falha não tão
grave quanto a anterior mas, ainda assim, um equívoco.
Lapsos muito mais graves (porém
menos evidentes) foram cometidos pela mesa. Essa demonstra baixo conhecimento
de Procedimento Parlamentar ou, se ela o detiver, não está pondo-o em prática.
Dentre os descumprimentos, temos os erros nas contagens das votações por
maioria simples. Em nenhum momento Maria Fernanda Scalco ou Igor Piazenski
perguntaram sobre abstenções, o que pode ter gerado resultados errôneos em
todos os resultados.
Também foi notado que raríssimas
vezes perguntou-se sobre questões ou moções. Em grande parte das vezes, os
delegados foram ao púlpito durante a Lista de Oradores para pedir debates
não-moderados ou moderados ou recessos para lanche. A mesa não repreendeu a
atitude nenhuma das vezes. Para piorar, quando um desses debates eram
aprovados, a mesa não pedia que quem o propôs determinasse o tempo ou o tema,
determinando o tempo de debate que bem entendessem.
Pelas regras parlamentares, quando
uma moção para debate moderado é feito, o orador deve determinar o tópico, o
tempo de cada discurso e quantos discursos seriam executados, além de iniciar o
debate discursando. A mesa porém, determinou o tempo que ela queria e ignorou a
regra do primeiro discurso, atingindo o cúmulo de convidar os Estados Unidos da
América para iniciar um debate proposto pela Turquia. No debate não-moderado,
quem o propôs deve determinar o tempo e o tópico, e a mesa demonstrou descaso
semelhante com tais normas. Quando questionado sobre a inconstitucionalidade
dos debates sem tema, o professor Fernando Ribeiro defendeu que “Com temas
vagos, fica difícil”.
Outro momento que causou
estranhamento foi o anúncio do recesso da sessão para almoço pelo membro da
mesa Igor Piazenski. Regularmente, deve ser feita uma moção pelos delegados
para entrar em recesso, e a mesa pode somente recomendar que algum delegado a
execute.
Uma aluna do 3º ano que observou
brevemente a sessão alegou que “Procedimento parlamentar é abstrato, sem
vivência não é possível que a mesa o cumpra” ao lembrar-se de que na sessão
2015, Maria Fernanda foi integrante da imprensa e Igor Piazenski não teve uma
participação notória em sua delegação.
Uma redatora anônima afirmou também
que “A mesa rege o debate. Se ela não souber exercer suas funções, a sessão
inteira fracassa”, remetendo à lentidão na confecção de uma resolução. Outra
chegou a fazer contagens em palitos em seu caderno de vezes que a mesa foi
incoerente.
A imprensa espera que o 1º ano
utilize essas críticas para fazer uma excelente edição em 2017, sem cometer os
inúmeros erros vistos nesta.
Escrito
por Laura Reis.